Pitaco da semana: a saída de Pedro Parente: razões para se animar?

O pitaco desta semana já estava há um tempo organizado e escrito, restando apenas passar por uma revisão para sua programada publicação no domingo, às 08h00. Eis que Pedro Parente pediu as contas e deixou a presidência da Petrobrás na última sexta-feira, nos fez voltar às pressas para o Boêmios Cívicos e tratar desse assunto. Apesar do claro corte liberal de sua administração, será que agora, com sua saída, o campo progressista tem o que comemorar?

Como já defendemos, a política de preços da Petrobrás é a chave para a compreensão da crise na conjuntura e de um movimento de ajuste de maior amplitude na estrutura econômica brasileira. No primeiro plano, a política de preços resultou no substancial aumento dos combustíveis e do gás de cozinha, espalhando o caos pela sociedade como fogo na palha: extremamente dependente do petróleo, a sociedade sente fácil e rapidamente o aumento e, inclusive, mais de um milhão de famílias voltaram a usar a lenha em substituição do gás. Já no segundo, lembremos que Parente era parte integrante do dream team da economia, um conjunto de senhores “técnicos”, “austeros”, “responsáveis” no comando do Ministério da Fazenda, Banco Central, BNDES e Petrobrás. Talvez mera coincidência, mas todos eles – e aqui é importante lembrarmos que não se trata das pessoas – respondem ao capital: temos um presidente do Bank of Boston na Fazenda, um primeiro escalão do Itaú no BACEN, um chicago-boy no BNDES e um ministro do apagão na Petrobrás. Outra coincidência: a dispersão desses senhores na medida que se aproxima o fim do governo golpista. A política de preços da Petrobrás, portanto, corresponde não à gestão eficiente e despolitizada mas a uma gestão privada, como bem argumentou o jornalista Ranier Bragon*.

Tomada a trajetória de Parente no comando da empresa, é fácil percebemos que o comando da empresa estava alheio aos interesses nacionais. Para além da política de preços, é recordemos o desmonte da empresa, com privatizações a rodo, às licitações envolvendo apenas empresas estrangeiras, o fechamento de estaleiros e a contratação de serviços no exterior e a ociosidade das refinarias para facilitar a importação. O movimento dos petroleiros apontam para esses objetivos e essas medidas. Ao contrário do que está sendo difundido, a gestão de Parente passa ao largo de qualquer autonomia política e é alheia aos interesses nacionais, prejudicando a economia brasileira no curto prazo e desestabilizando um forte aliado do desenvolvimento nacional, a empresa estatal do petróleo. Uma boa reportagem sobre a passagem de Parente foi feita no calor do momento no jornal NEXO**, que nos lembra ainda que a gestão técnica e isenta ainda pagou a bagatela de R$ 9,5 bilhões aos “investidores” que foram lesionados pelos casos de corrupção (o lucro líquido da empresa no primeiro trimestre foi de R$ 7 bi).

O problema que se coloca ao campo progressista agora é o que fazer. De maneira geral, os setores da esquerda comemoram a renúncia de Parente como se junto com ela o govero ilegítimo e suas práticas também estivessem entrando para o passado. Parecem subestimar a eficácia e a organização da direita no capitalismo dependente e subdesenvolvido brasileiro. Na medida que o processo de ajuste a que fizemos referência não parece ter chegado ao fim e muito menos esteja consolidado, a saída do dream team de campo é um cálculo político conjuntural, isto é, que está de olho no degaste e no potencial caos que o governo golpsita pode terminar os seus dias. Além disso, para o ajuste, independem as pessoas, porque o que não falta são economistas e pessoas responsáveis para darem continuidade ao desmonte da economia e do Estado nacionais, isto é, sai um time entra outro. Nesse sentido, a reúncia do ministro do apagão, a candidatura de Meirelles e a troca dos dois últimos presidentes do BNDES em nada respondem aos movimentos de pressão da sociedade sobre o curso da política econômica ilegítima. Antes, são uma reação do “partido do ajuste” às complicações conjunturais evidentes. O campo progressista ainda não nos parece organizado e forte o suficiente para empatar o jogo do partido do ajuste e virar a mesa. Endossar a greve dos petroleiros e desencadear outras além de convocar passeatas e atos como o último da Frente Povo sem Medo nos parece um bom começo para começarmos a disputa política do país.

 

*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ranier-bragon/2018/06/lucro-da-petrobras-diz-mais-sobre-erros-do-que-acertos-de-pedro-parente.shtml

**https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/06/01/Do-prest%C3%ADgio-à-renúncia-a-trajetória-de-Pedro-Parente-na-Petrobras

 

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