Pitaco da semana: novo presidente da Petrobrás?

O pitaco dessa semana versa sobre a retificação de Ivan Monteiro como presidente da Petrobrás, assumindo o lugar deixado pelo ministro-apagão Pedro Parente. Na medida que a política de preços da empresa estatal é o cerne da discussão, causa-nos estranheza por parte da propaganda vinculada na mídia nativa atribuir alguma novidade no nome de Ivan Monteiro no cargo máximo de gestão. Apesar de não ter o peso político de Parente, o ex-diretor financeiro da administração Bendine já tranquilizou os acionistas minoritários assumindo total compromisso com a política de preços anterior, que vincula o movimento interno aos preços internacionais. Em outras palavras: segue-se uma política de preços que interessa a todos, exceto ao acionista majoritário, o povo brasileiro.

Como defendeu o professor Ruas neste espaço, a política de preços anterior à de Parente era mais inteligente, embora estivesse mais sujeita, devido à forma como estava estruturada, a impropérios por parte do governo. É evidente que a empresa estatal deve assumir compromisso, em última instância, com o seu acionista majoritário, o povo brasileiro que, não é de hoje, luta pela defesa das riquezas do país. No comando do Estado por um governo supostamente de esquerda e preocupado com os interesses nacionais, todavia, assistimos a uma verdadeira sobrecarga sobre a Petrobrás na medida que sobre os ombros da empresa estavam as funções fiscal e monetária. Ou seja, a empresa estava sendo utilizada como propulsora da economia e do desenvolvimento industrial e tecnológico nacionais mas também como administradora dos preços, represando os valores cobrados pela gasolina e demais combustíveis. A única certeza era a de que em algum momento a conta não fecharia, abrindo brechas, inclusive, a muitos dos desmandos comandados pelo mercado e seus “parentes”.

A sobre carga cobrou o seu preço: os prejuízos à estatal são reais e inegavelmente se devem ao uso desmedido do controle de preços como forma de controle da inflação e, principalmente, comprometeram a atividade de desenvolvimento e investimento da empresa para os períodos seguintes. Para uma burguesia de vocação mercantil e colonial, essa era a deixa para dilacerar a empresa, privatizando setores e reduzindo suas atividades ao core businsses. As práticas imbutidas no processo de financeirização encontram no país terreno fértil e sócios ávidos por ganhos imediatos e descomprometidos com o desenvolvimento nacional. Nesse sentido, a política de preços da estatal é o mote do ajuste da empresa aos “novos tempos” ao mesmo tempo que serve de bode espiatório para práticas mais perversas de desmantelamento da principal companhia nacional.

O novo presidente da empresa, se não tem o mesmo peso que um Parente no mercado, ao adotar a política de preços vinculada ao movimento do mercado internacional e ignorar as condições internas de produção e refino mantém o sentido da política atual de desmonte, que interessa ao grande capital somente. Não há, por essa razão, nenhuma novidade em questão. Que a greve dos petroleiros e agora dos trabalhadores da Eletrobrás pressionem e assegurem dois dos últimos legados da Era Vargas sob o controle nacional. Em alguma medida, a agenda atual tira da gaveta o projeto do governo tucano e o coloca em prática de maneira contundente. Não custa lembrar que esse projeto sofreu quatro derrotas seguidas nas eleições e que FHC declaradamente estava preocupado em enterrar a Era Vargas quando no governo.

 

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